Tá rolando uma reorganização aqui.

Estou me reorganizando e precisava escrever sobre isso. Em algum momento nesse mundo louco que estamos vivendo - e que pra mim não tem nada de "novo normal" - eu consegui me encontrar, acertar as coisas, dar uma organizada na bagunça em que estava a vida. Ajeitei tudo o que dava, no lugar que dava, para poder respirar um pouco melhor. No fim ficou organizado. Durou alguns meses. 

Mas hoje, está tudo bagunçado de novo e essa bagunça fui eu que fiz. Eu estou me reinventando. 

Nesse mundo caos, me redescobri por entro e por fora. Me questionei, aprendi coisas novas, deixei de lado algumas ideias, achei outras que tinha guardado no fundo do baú. Abri tudo, revirei os armários, joguei tudo em cima da cama e sentei no chão para olhar cada item e separar o que ia ficar e o que ia embora. E tem sido um processo longo, de amadurecimento e com muitos aprendizados. 

Teve momento - e tem tido -, que eu quis guardar tudo de volta do jeito que está e só deixar lá e seguir no comodismo. Até tentei, confesso. Descobri que não dá. Uma vez que você revira tudo, relê os sonhos de infancia, se questiona o que você está fazendo, se pergunta se aquela blusa de lã ainda combina com você apesar dela ser bem quentinha, não tem como voltar atrás. Quando a inquietude pela melhoria, a inquietude pela mudança te atinge, não tem mais jeito. Quando você começa as coisas da primeira prateleira, não tem mais volta, ali você já começa a mudar. Quando você coloca a bagunça no chão para liberar a cama pra dormir, você já está dentro da mudança. Ela é inevitável, ela acontece.  

Eu encontrei coisas no fundo do baú que eu fico me questionando como eu tive coragem de colocar lá e fingir que não estava por tanto tempo. Já tirei o pó e coloquei na prateleira para estar sempre a mão. Estou tirando aquilo que me deram e não me serve, ou não me serve mais. Estou tirando aquilo que um dia me coube e eu me dei, mas hoje não faz mais sentido ficar. Eu estou fazendo uma limpa, em busca de entender o que combina com as minhas transformações, as minhas mudanças e - ousadamente- meu novo eu. São roupas, ideias, falas, sapatos, objetivos, acessórios que não cabem mais no meu dia a dia.

Eu estou no final dessa reorganização, mas sei que logo farei outra e depois outra e seguirei reorganizando, mudando. Novas coisas na prateleira, coisas que estavam a muito tempo guardada. Coisas que não fazem mais sentido estão indo embora, mas não sem deixar uma marca para contar a história e marcar o momento. Estou feliz em reorganizar tudo. Você é sempre bem vinda, mudança. 

Esse é um texto sobre faxinas materiais e internas. 

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